quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Presidências da Câmara e do Senado: promessa de disputa fragmentada



A cerca de dez dias da posse dos novos deputados federais e senadores, e, por consequência, a eleição das mesas diretoras das duas casas, a expectativa é uma disputa fragmentada e pautada pela tensão em relação à participação do governo do presidente Jair Bolsonaro e do PSL nas articulações políticas.

Na Câmara, onde é mais comum uma multiplicidade de candidaturas, ao menos nove nomes estão postos na disputa até o momento. Atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ) segue sendo o favorito, mas a aproximação com o PSL para suprir a falta de partidos como MDB e PP, grandes bancadas que estão despontando com nomes na disputa, acabou afastando o PT e dificultando acordos com os demais partidos à esquerda.

No partido do ex-presidente Michel Temer, o atual vice de Maia, Fábio Ramalho (MG), e Alceu Moreira (RS) estão colocados. No PP, os nomes são os do ex-ministro da Saúde Ricardo Barros (PR) e do líder do partido, Arthur Lira (AL)

Os petistas articulam neste momento um bloco de oposição na eleição, que já inclui o PSB e PSOL e mira também PDT, PCdoB e Rede. Não é suficiente para eleger o presidente da Câmara, uma margem que exige cerca de 260 votos, mas basta para influenciar as eleições e, talvez, compor com outro candidato que se apresente como mais distante do governo Bolsonaro que Maia. Dentro desses partidos, João Henrique Caldas (PSB-AL) e Marcelo Freixo (PSOL-RJ) se colocam como candidatos.


Senado

No Senado, a grande divisão segue sendo entre ser a favor ou contra a volta do senador Renan Calheiros (MDB-AL) ao comando da Casa. Renan, que oficialmente não diz ser candidato a presidente do Senado, acena ao governo Bolsonaro com a possibilidade de trabalhar pela aprovação de reformas e também conta com o ativo da eleição secreta, que diminui o custo político do voto nele, que responde a catorze inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao contrário da Câmara, a fragmentação é incomum no Senado, onde a disputa tradicionalmente acontece em uma composição entre os senadores de acordo com os tamanhos das bancadas. Desde 2001, todas as eleições foram vencidas pelo MDB – partido de Renan mas, também, origem de uma das opositoras, a senadora Simone Tebet (MDB-MS). E também não tiveram mais de três candidatos, sendo que as últimas cinco tiveram apenas dois postulantes.

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