E agora? Família Bolsonaro chefia escândalo de corrupção milionário na câmara de deputados



Chega a ser inacreditável que o ex-juiz Sergio Moro ainda não tenha vindo a público se pronunciar sobre o Laranjão, escândalo envolvendo movimentação suspeitíssima e milionária na conta de ex-motorista, segurança e assessor – tudo junto – do filho de Bolsonaro. Cadê o moralismo fajuto desse sujeito? Cadê a indignação dele com a corrupção. Caiu a máscara!

O primeiro grande escândalo do governo Bolsonaro começa antes mesmo da posse do presidente eleito. E já tem potencial para desmascarar meio mundo, a começar pelo juiz Sergio Moro, desde já o futuro homem-forte do novo governo.

Mas antes de falar de Moro, há que lembrar a cena patética do enroladíssimo ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni: em vez de responder a uma simples pergunta sobre a origem do 1,2 milhão de reais que transitou pela conta do motorista de Flávio Bolsonaro, Lorenzoni xingou os repórteres, acusou o PT e deixou a entrevista no meio.

Questionado sobre a origem do dinheiro, Lorenzoni se enfureceu.

“Eu lá sou investigador? Qual é a origem do dinheiro? Quando o senhor [repórter que havia feito a pergunta] recebeu este mês? Não tem cabimento essa sua pergunta”, esbravejou o ministro, antes de abandonar a entrevista. ” Um milhão eu não recebi”, respondeu o repórter.

Entenda o caso:
Relatório do Coaf aponta que o ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio, recebeu depósitos em espécie e por meio de transferências de oito funcionários que já foram ou estão lotados no gabinete do parlamentar. De acordo com o documento, anexado às investigações da Operação Furna da Onça, o subtenente da Polícia Militar Fabrício José de Carlos Queiroz teve uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão de 01/01/2016 e 31/01/2017.

Uma das filhas do PM, Nathalia Melo de Queiroz estava lotada no gabinete de Flávio até dezembro de 2016, com salário de R$ 9.835,63. No período relatado pelo Coaf, fez depósitos que totalizaram R$ 84.110,04 e ­transferência de R$ 2.319,31. Depois que saiu do gabinete de Flávio, Nathália foi funcionário do presidente eleito Jair Bolsonaro na Câmara. Deixou o cargo no mesmo dia em que o pai pediu exoneração do gabinete de Flávio. ­

A mulher de Queiroz, Marcia Oliveira de Aguiar, exerceu cargo de consultora parlamentar do gabinete de Flávio, com salário bruto de R$ 9.835,63, entre 02/03/07 a 01/09/17. Ao marido, o repasse em dinheiro foi de R$ 18.864,00, segundo o Coaf. Em transferências, o valor chegou a R$ 18,3 mil.

Na lista, há ainda três funcionários que aparecerem na última folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio disponibilizada no site da Casa, a de setembro deste ano. Queiroz recebeu de Raimunda Veras Magalhães, de acordo com o relatório, R$ 4,6 mil. Ela aparece na folha da Alerj com salário líquido de R$ 5.124,62.

Outro que ainda consta na folha é Jorge Luis de Souza, cujo salário líquido em setembro de 2016 foi de R$ 4.847,27. Segundo documento do Coaf, o depósito dele foi de R$ 3.140,00.

Agostinho Moraes da Silva, que aparece com salário líquido de R$ 6.787,49, fez depósito de R$ 800.

Outro depósito, de R$ 3.542,00, veio de ­Luiza Souza Paes, que foi funcionária do gabinete de Flávio em 2012. Depois, ela exerceu outras funções na Alerj. Consta ainda transferências eletrônicas num total de R$ 7.684,00. ­

O relatório do Coaf aponta ainda que Queiroz recebeu transferência eletrônica de R$ 3,2 mil de Marcia Cristina Nascimento dos Santos, que, em fevereiro de 2016, aparecia na folha de pagamento da Alerj com um salário líquido de R$ 5.160.98.

De acordo com o documento do Coaf, Wellington Servulo da Silva, que aparecia na folha de fevereiro de 2016 com salário líquido de R$ 4.847,27, fez transferência num total de R$ 1,5 mil.

Flávio Bolsonaro e Queiroz não são alvo de investigações. O Ministério Público Federal (MPF) ressaltou que a identificação de movimentação atípica não configura um ilícito por si só.

O GLOBO não conseguiu contato com Queiroz e tenta contatos com as pessoas que fizeram depósitos para o ex-assessor.

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