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AOS MESTRES, COM CARINHO.



        João tinha 17 anos quando descobriu que queria ser professor, para ele, professor significava mais que um status social, a profissão era sinônimo de nobreza. Ser o dono da sala de aula, o mestre de todos no qual podia ditar as regras, falar e ser ouvido, formar pessoas para a vida.
        Além de tudo para João, ser professor era moleza, chegar na sala de aula na hora que quiser, quando tivesse cansado, podia pedir aos alunos para assistir um filme ou ler um capitulo do livro didático. Ele sabia que o salário não era dos melhores, mas pra que salário? João podia se alimentar da merenda escolar  sempre que sobrasse alguma coisa, podia pegar as alunas bonitas do colégio e ainda assim seria “O cara”.
            Aos 21 anos ele era professor! Tinha feito faculdade, agora estava pronto para a sala de aula, mostrar como se faz, estava com vontade! Não queria ser mais um chorão que vive resmungando por melhores salário e qualidade de vida, aquilo já era vida boa demais. Ele só precisava passar no concurso.
O concurso era tranquilo, só mais uma prova, pensou ele, já havia feito centenas delas na universidade, essa era só mais uma, nem estudou...
                “Professor não é pra quem quer é pra quem pode” foi o que João falou para seus amigos quando saiu o resultado do concurso e ele não passou, agora era estudar para obter melhores resultados no próximo.
               No próximo ele passou, iria lesionar em uma escola municipal de ensino fundamental da cidade vizinha, releu o edital e descobriu que tinha que trabalhar 8 horas por dia. Não imaginava que seria tanto tempo, mas pra ele era “de boa” o dia tem 24 horas ainda sobrava muito tempo para curtir.
                No seu primeiro dia de aula, João percebeu que deveria acordar mais cedo, levava 2 horas de sua casa a te o trabalho, mas fazer o que? Nem sempre as coisas é como pensamos, agora ele só tinha 12 horas para curtir, menos às 8 horas de sono, sobrava quatro para “vadiar”.
Pobre João, ele se esqueceu de fazer os planos de aula e o seu primeiro dia foi um desastre. Agora ele tinha que dormir menos, mesmo chegando exausto em casa, as quatro horas que tinha para “vadiar” ele usou para preparar suas aulas. Bom, pelo menos ele tem os domingos para se divertir, já que sábado tem as reuniões pedagógicas.
                 Três dias já se passaram, ele percebeu que lidar com pessoas não era tão fácil quanto imaginava, todo dia chegava exausto com dor de cabeça e a garganta doendo, só que não para por aí. João precisou reorganizar seu tempo, ele já tinha provas e trabalhos para corrigir.  Agora João trabalhava 8 horas por dia na escola, mais 4 horas para ir e vir do trabalho somado com mais 4 horas para corrigir trabalhos e provas. Para o azar de João, o dia só tem 24 horas e ele só tinha 4 horas para dormir e usava o domingo para tomar uma cervejinha com os amigos.
               Na semana seguinte estava sem dinheiro. Salário de professor não dava para pagar diarista e comer fora todo dia. Ele parou de dormir e reorganizou seu tempo novamente.
                 Hoje em dia João está se acostumando a nova vida, trabalha 8 horas por dia na sala de aula usa 4 horas para ir e vir do trabalho, 4 horas é dedicada aos planos de aulas e outras 4 horas para a correção de provas e trabalhos e no lugar de usar as 4 horas restante do dia para descansar ele usa para arrumar a casa, lavar roupa e fazer comida. Os sábados e domingos ele divide entre dormir e pedir esmolas nas ruas para sobreviver, lugar onde muitas vezes é visto por país de alunos que vão lá xinga-lo e culpa-lo pelo mau desempenho do filho na escola.

FELIZ DIA DOS PROFESSORES
Esse texto foi dedicado aos mestres professores, sei que muitos deles não terão tempo de ler, mesmo assim, Muito Obrigado Professores, por fazer de me o que sou hoje!

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