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Padre Claudênis envia carta de reivindicações para a Diocese!

O Padre Claudênis foi afastado da paróquia de Marcelino Vieira desde 12/10, após as eleições municipais. O afastamento do Padre foi ocasionado por ter apoiado o candidato derrotado nas urnas, Babau. Na ocasião, o Bispo afastou o Padre Claudênis da paróquia de Santo Antonio por tempo indeterminado e proibiu-o de celebrar, batizar e a assistir casamentos.
  Diante disto, o Padre Claudênis enviou uma carta para a diocese de Mossoró, mostrando as suas reivindicações acerca do afastamento, veja a carta: 
        "O posicionamento da igreja ante os últimos acontecimentos, durante a campanha eleitoral, deixou claro que a diocese ignora quaisquer justificativas vindas do sacerdote e da metade da comunidade cristã que o apoiou, usando de argumentos durante o sermão como:” nenhum sacerdote pode se posicionar partidariamente” e sem permitir nenhum direito à defesa, lançou seu veredicto “o Padre vai estar de férias, cuidando da avó doente e aproveita para refletir sobre a sua postura “.


·          O padre desde então ficou aguardando contato da diocese. Foi para o Rio de Janeiro passear, presente dos filhos ausentes do município, porque sua avó não estava doente e também para não ter que ouvir críticas e manifestações daqueles que, vencedores nas eleições, se achavam também vencedores no conflito igreja- poder, com o aval dado pela diocese, quando se fez conivente com o poder local, contribuindo dessa forma, mesmo que indiretamente, para que os desmandos de corrupção que há muito o tribunal de contas divulga, pudessem se instalar por mais quatro anos no município.


·          Nesse espaço de tempo entre o dia em que o padre foi mantido longe da paróquia por decisão da diocese até hoje, em nenhum momento a igreja entrou em contato com ele, procurou saber se a “avó doente” estava sendo bem assistida, se tinha dinheiro para fazer a feira, pagar as contas ou mesmo sobreviver. Nenhum salário foi pago desde então, nenhuma definição foi realizada, nenhum recado foi dado, nenhum contato foi mantido. Somente as “férias” foram prolongadas junto ao silêncio.


·          Perdido, ignorado, estigmatizado como politiqueiro, irresponsável e até ladrão, já que o poder passou a cobrá-lo, através da rádio comunitária, ligada à paróquia, a prestação de contas das festas e dízimos, o padre retornou do Rio de Janeiro para Marcelino Vieira, terra onde ele se achava ainda padre e, portanto, teria o apoio de grande parte da comunidade que o acolheu e o alimenta até hoje. Até então vive assim, sem salário, sobrevivendo de favores daqueles que o apoiaram nesses momentos difíceis.


·          Se o padre obedecesse à diocese, estaria desde outubro em Portalegre vivendo de quê? Quem estaria oferecendo-lhe arrego? Como estaria se mantendo?


·         Hoje muitos comentários se espalham. Um deles é que a Igreja está indignada por ter sido desobedecida.Que jamais o padre deveria ter se instalado em Marcelino Vieira.


·          O que a igreja quer realmente? Vou responder: um pastor subserviente, que comungue com os seus interesses e que não saiba construir e muito menos emitir suas próprias opiniões. É dever do Estado manter-se laico, a igreja pode intervir no estado quanto este exclui e marginaliza, quando não assume o compromisso de cuidar do povo que o elegeu. Em Marcelino Vieira todo mundo sabe que há uma inversão de papéis.O poder político é que diz como a igreja deve agir.


·          Um outro padre já assume a paróquia. O padre posto de “férias”, até hoje ficou sem saber como foi, porque foi e até onde vai. Só sabe que agiu conforme sua consciência, espelhando-se no aprendizado da sua vida sacerdotal, cujo objetivo maior era a luta pela justiça social, pela paz e por dignidade para todos, principalmente para aqueles que nada têm, a não ser a fé.


Conclusão: diante desses acontecimentos acima mencionados, não sei mais se vale a pena continuar sacerdote. Só se entrega de corpo e alma a uma causa se houver a plena certeza de que, a instituição a quem serve caminha junto com o mesmo propósito: promover mudanças que venham melhorar a vida da comunidade, aqui na terra e além dela. Pronto."


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